Do discurso à prática

sustentabilidade e legitimação em traveltechs brasileiras sob a lente da Strategy-as-Practice

Autores

DOI:

https://doi.org/10.7784/rbtur.v20.3462

Palavras-chave:

Netnografia documental, Sustentabilidade de interface, Strategy-as-Practice, Traveltechs, Legitimação

Resumo

Este artigo analisa como startups brasileiras de turismo divulgam publicamente as informações de sustentabilidade em ambientes digitais, compreendendo-as não como atributo organizacional fixo, mas como prática estratégica situada e mediada por artefatos sociomateriais. Ancorado nas abordagens da Strategy-as-Practice e da Sustainability-as-Practice, o estudo adota uma metodologia qualitativa interpretativista baseada na netnografia documental de 22 traveltechs brasileiras. A análise mobiliza uma tipologia de densidade performativa estruturada em cinco níveis (0–4), concebida como dispositivo heurístico para compreender trajetórias de estabilização pública das práticas de sustentabilidade. Os resultados identificam padrões que variam entre comunicações fragmentadas e formas mais robustas de institucionalização simbólica, revelando o que se denomina sustentabilidade de interface. Nesse sentido, ocorre um arranjo no qual o compromisso socioambiental se concentra na camada visível da experiência do usuário, enquanto dimensões estruturais e climáticas permanecem com baixa rastreabilidade pública. O artigo conclui que a sustentabilidade opera como repertório simbólico seletivo de legitimação, condicionado pelas pressões de visibilidade das plataformas digitais.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Karen Cristina Martins de Oliveira, Universidade de São Paulo

Mestranda em Turismo no PPGTUR na USP, pesquisa sustentabilidade, inovação e empreendedorismo. Possui MBA em Gestão de Projetos Sociais e Culturais (Anhembi Morumbi, 2021), graduada em Gestão de Turismo (IFSP, 2018), com foco em Turismo de Base Comunitária. Atuou como Agente Local de Inovação (CNPq/SEBRAE, 2020-2024), pesquisando produtividade em micro e pequenas empresas. Tem experiência em pesquisa aplicada, mentoria, avaliação e palestras sobre inovação, empreendedorismo e diversidade de gênero. Contribuições: Conceituação, Curadoria de dados, Análise formal, Investigação, Metodologia, Administração do projeto, Redação do manuscrito original, Redação - revisão e edição.

Giovana Bueno, Universidade de São Paulo

Docente no Curso de Lazer e Turismo e no Programa de Pós Graduação em Turismo, PPGTUR da EACH-USP. Doutora e Mestra em Administração pela Univali, foi Visiting Scholar na IE University (Espanha) via PDSE/CAPES. É graduada em Turismo e em Administração, com MBA em Gestão Empresarial. Atuou como Agente de Inovação da FAPESC. Ganhou o prêmio internacional Literati Awards Emerald e conquistou o 3º lugar no concurso da SETUR-SP com o projeto Observatório PITCH. Áreas de Pesquisa: Estratégia, Inovação e Gestão no Turismo. Contribuições: Conceituação, Análise formal, Metodologia, Administração do projeto, Supervisão, Validação, Redação - revisão e edição.

Referências

Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores. (2019). Mapeamento dos mecanismos de geração de empreendimentos no Brasil. anprotec.org.br

Bianchi, R. V. (2018). The political economy of tourism development: A critical review. Annals of Tourism Research, 70, 88–102. https://doi.org/10.1016/j.annals.2017.08.005

Bocken, N. M. P., Short, S. W., Rana, P., & Evans, S. (2014). A literature and practice review to develop sustainable business model archetypes. Journal of Cleaner Production, 65, 42–56. https://doi.org/10.1016/j.jclepro.2013.11.039

Charmaz, K. (2014). Constructing grounded theory (2nd ed.). Sage.

Delmas, M. A., & Burbano, V. C. (2011). The drivers of greenwashing. California Management Review, 54(1), 64–87. https://doi.org/10.1525/cmr.2011.54.1.64

Dodds, R., & Butler, R. (2021). Overtourism: Issues, realities and solutions. De Gruyter.

Edwards, M. G. (2021). The growth paradox, sustainable development, and business strategy. Business Strategy and the Environment, 30(7), 3079–3094. https://doi.org/10.1002/bse.2790

Elkington, J. (1997). Cannibals with forks: The triple bottom line of 21st century business. Capstone.

Font, X., & Lynes, J. (2018). Corporate social responsibility in tourism and hospitality. Journal of Sustainable Tourism, 26(7), 1027–1042. https://doi.org/10.1080/09669582.2018.1488856

Garcia, F. C. S., & Vargas, W. F. C. (2024). Greenwashing in the tourism and hospitality sector: A systematic analysis of the literature. Revista Interamericana de Ambiente y Turismo, 20(2), 174–192. https://doi.org/10.4067/S0718-235X2024000200174

Gössling, S. (2002). Global environmental consequences of tourism. Global Environmental Change, 12(4), 283–302. https://doi.org/10.1016/S0959-3780(02)00044-4

Gretzel, U. (2018). Tourism and social media. In C. Cooper, S. Volo, W. C. Gartner, & N. Scott (Eds.), The SAGE handbook of tourism management: Applications of theories and concepts to tourism (Vol. 2, pp. 692–705). Sage.

Hall, C. M. (2011). Policy learning and policy failure in sustainable tourism governance: From first- and second-order to third-order change? Journal of Sustainable Tourism, 19(4–5), 649–671. https://doi.org/10.1080/09669582.2011.555555

Hall, C. M. (2019). Constructing sustainable tourism development: The 2030 agenda and the managerial ecology of sustainable tourism. Journal of Sustainable Tourism, 27(7), 1044–1060. https://doi.org/10.1080/09669582.2018.1560456

Hickel J. The contradiction of the sustainable development goals: Growth versus ecology on a finite planet. Sustainable Development. 2019; 27: 873–884. https://doi.org/10.1002/sd.1947

Higgins-Desbiolles, F. (2020). Socialising tourism for social and ecological justice after COVID-19. Tourism Geographies, 22(3), 610–623. https://doi.org/10.1080/14616688.2020.1757748

Jarzabkowski, P. (2005). Strategy as practice: An activity-based approach. Sage.

Kozinets, R.V. (2015). Netnography. In The International Encyclopedia of Digital Communication and Society (eds P.H. Ang and R. Mansell). https://doi.org/10.1002/9781118767771.wbiedcs067

Kozinets, R. V. (2019). Netnography: The essential guide to qualitative social media research (3rd ed.). Sage.

Kozinets, R. V., & Gretzel, U. (2023). Netnography and AI: Methodological innovations. Journal of Travel Research, 62(1), 3–15. https://doi.org/10.1016/j.annals.2023.103693

Kozinets, R. V. (2021). Netnography Today: A Call to Evolve, Embrace, Energize, and Electrify. In Kozinets, R.V, Gambetti, R. (eds.) Netnography Unlimited (pp. 3-23). Routledge.

Kozinets, R. V. (2010). Netnography: Doing ethnographic research online. SAGE Publications.

Kuss, A. C. (2021). Megatendências e transformação digital no turismo no contexto de agências de viagem (Projeto de Planejamento e Gestão em Turismo). Curso de Turismo, Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná, Curitiba. https://acervodigital.ufpr.br/xmlui/handle/1884/76504.

Kuss, A. C., & Medaglia, J. (2022). Turismo e tecnologia da informação: das agências tradicionais às travel techs. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 16, Artigo 2668. https://doi.org/10.7784/rbtur.v16.2668

Leff, E. (2006). Racionalidade ambiental: A reapropriação social da natureza (L. C. Cabral, Trad.). Civilização Brasileira.

Leff, E. (2010). Discursos sustentáveis. Cortez.

Miller, G. & Torres-Delgado, A (2023) Measuring sustainable tourism: a state of the art review of sustainable tourism indicators, Journal of Sustainable Tourism, 31:7, 1483-1496, https://doi.org/10.1080/09669582.2023.2213859

Nambisan, S., Wright, M., & Feldman, M. (2019). The digital transformation of innovation and entrepreneurship: Progress, challenges and key themes. Research Policy, 48(8), 103773. https://doi.org/10.1016/j.respol.2019.03.018

Neuhofer, B., Egger, R., Yu, J., & Celuch, K. (2021). Designing experiences in the age of human transformation: An analysis of Burning Man. Annals of Tourism Research, 91, 103310. https://doi.org/10.1016/j.annals.2021.103310

Organização das Nações Unidas. (2015). Transformando nosso mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. https://brasil.un.org/sites/default/files/2020-09/agenda2030-pt-br.pdf

Ries, E. (2011). The lean startup: How today’s entrepreneurs use continuous innovation to create radically successful businesses. Crown Business.

Schaltegger, S., & Wagner, M. (2011). Sustainable entrepreneurship and sustainability innovation: Categories and interactions. Business Strategy and the Environment, 20(4), 222–237. https://doi.org/10.1002/bse.682

Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. (2023). Turismo e inovação: O papel das startups. https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/inovacao-e-tecnologia-a-importancia-das-startups-para-o-turismo,a58a4dbf5f5c5810VgnVCM1000001b00320aRCRD

Smith, M. K. (2015). Issues in Cultural Tourism Studies (3rd ed.). Routledge. https://doi.org/10.4324/9781315767697

Suchman, M. C. (1995). Managing Legitimacy: Strategic and Institutional Approaches. The Academy of Management Review, 20(3), 571–610. https://doi.org/10.2307/258788

Traskevich, A., & Fontanari, M. (2023). Tourism Potentials in Post-COVID19: The Concept of Destination Resilience for Advanced Sustainable Management in Tourism. Tourism Planning & Development, 20(1), 12–36. https://doi.org/10.1080/21568316.2021.1894599

Urry, J. (1990). The consumption of tourism. Sociology, 24(1), 23–35. https://doi.org/10.1177/0038038590024001004

Whittington, R. (1996). Strategy as practice. Long Range Planning, 29(5), 731–735. https://doi.org/10.1016/0024-6301(96)00068-4

Wright, C., Nyberg, D., & Grant, D. (2012). “Hippies on the third floor”: Climate change, narrative identity and the micro-politics of corporate environmentalism. Organization Studies, 33(11), 1451–1475. https://doi.org/10.1177/0170840612463316

Downloads

Publicado

2026-08-28

Como Citar

Oliveira, K. C. M. de, & Bueno, G. (2026). Do discurso à prática: sustentabilidade e legitimação em traveltechs brasileiras sob a lente da Strategy-as-Practice . Revista Brasileira De Pesquisa Em Turismo, 20, 3462. https://doi.org/10.7784/rbtur.v20.3462

Edição

Seção

Artigos - Gestão do Turismo