Narrativas de desapontamento em megaobras de urbanização turística
uma análise reflexiva a partir de mídias sociais
DOI:
https://doi.org/10.7784/rbtur.v20.3457Palavras-chave:
Destinos turísticos costeiros, Engordamento de praia, Turismo de sol e praia, Conteúdo gerado pelo usuário, Governança urbanaResumo
Embora as megaobras de urbanização turística e engordamento artificial de praias sejam frequentemente promovidas como soluções técnicas para a erosão costeira e o desenvolvimento territorial, seus efeitos sobre a experiência dos usuários e as tensões sociais geradas por essas intervenções permanecem subexploradas. Este artigo analisa as narrativas de desapontamento e insatisfação associadas a uma grande intervenção costeira realizada no Brasil entre 2022 e 2025. Adotou-se uma abordagem qualitativa baseada na Análise Temática Reflexiva de 361 excertos coletados em comunidades do Facebook. Os resultados indicam que o desapontamento não se restringe a falhas técnicas ou operacionais, mas se estrutura em um quadro mais amplo, organizado em quatro dimensões interligadas: (1) crítica à intervenção em sua materialidade e eficácia; (2) desigualdade territorial; (3) conflito ontológico entre urbanização e natureza; (4) gestão pública e governança. O estudo contribui para a literatura de planejamento e gestão do turismo ao posicionar o conteúdo de rede social como dispositivo político e arena contradiscursiva que desafia as narrativas tecnocráticas e espetacularizadas das megaobras, propondo o desapontamento como indicador psicossocial de desalinhamento entre expectativas e transformações urbanas orientadas pelo turismo.
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