Eventos climáticos extremos no turismo brasileiro
o confronto entre os impactos e as (re)ações
DOI:
https://doi.org/10.7784/rbtur.v20.3514Palavras-chave:
Mudanças climáticas, Políticas públicas, Regiões turísticas, Turismo, BrasilResumo
Este artigo analisa a evolução e os impactos dos eventos climáticos extremos (ECEs) no turismo brasileiro, sua distribuição nas regiões turísticas e as (re)ações das autoridades públicas. A pesquisa orientou-se pelas questões: como evoluíram os ECEs e seus impactos no turismo brasileiro, e quais (re)ações esboçaram-se para seu enfrentamento? Metodologicamente, combina-se revisão sistemática da literatura com análise de dados do Banco de Dados de Eventos de Emergência do Centro de Pesquisa em Epidemiologia de Desastres, entre 1990 e 2025. Os resultados evidenciam uma crescente incidência de secas, incêndios, inundações e deslizamentos, sobretudo, na década de 2020, com impactos sobre destinos e regiões turísticas. Identifica-se um paradoxo estrutural: embora a ciência e a cobertura jornalística apontem perdas concretas e riscos crescentes, as políticas públicas de turismo permanecem insuficientes na adaptação climática. Ademais, os instrumentos de planejamento continuam orientados por indicadores exclusivamente numéricos (fluxo de visitantes e receitas), em descompasso com a urgência climática e os compromissos do Acordo de Paris. Conclui-se que, apesar de os ECEs já afetarem 83,6% das regiões turísticas brasileiras, predominam respostas reativas e mercadológicas. Um possível ponto de inflexão emerge com a incorporação do turismo ao Plano Clima 2024–2035.
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