Capital turístico e a estruturação do campo
evidências de uma zona histórica e portuária no Brasil
DOI:
https://doi.org/10.7784/rbtur.v20.3510Palavras-chave:
Capital turístico, Campo turístico, Disputas no turismo, BourdieuResumo
Este artigo analisa como o capital turístico estrutura o campo turístico em contextos urbanos, a partir de um estudo de caso em uma zona histórica e portuária no Brasil. Ancorado na perspectiva bourdieusiana, o estudo propõe o conceito de capital turístico como uma forma de capital relativamente autônoma, capaz de organizar disputas entre agentes e influenciar a formação de coligações no turismo. Metodologicamente, adota-se uma abordagem de métodos mistos, combinando entrevistas semiestruturadas (n=59), análise documental e mapeamento relacional dos agentes, com operacionalização analítica dos capitais econômico, cultural, social e turístico. Os resultados evidenciam que o capital turístico desempenha papel central na hierarquização dos agentes, sendo apropriado de forma desigual entre os agentes de Estado, mercado, turistas e moradores. Observa-se que agentes estatais e de mercado concentram maiores volumes desse capital, enquanto moradores e trabalhadores permanecem marginalizados, com baixa capacidade de influência no campo. O estudo contribui ao avançar teoricamente a noção de capital turístico, articular campo turístico no contexto urbano e propor uma abordagem relacional para análise empírica de capitais. Os achados dialogam com dinâmicas observadas em cidades latino-americanas, ampliando o debate sobre desigualdade e estruturação do turismo.
Downloads
Referências
Barreira, I. A. F. (2010). Pulsações no coração da cidade: cenários de intervenção em centros urbanos contemporâ-neos. Caderno CRH, 23(59), 255-266. https://doi.org/10.1590/S0103-49792010000200004 DOI: https://doi.org/10.1590/S0103-49792010000200004
Biffis, A. G. (2018). El centro histórico como paisaje urbano histórico: el desafío de intervenir. [Tese de Doutorado, Universidad Nacional de La Plata].
Bourdieu, P. (1987). Los tres estados del capital cultural. Sociológica, 2(5), 11-17. https://sociologicamexico.azc.uam.mx/index.php/Sociologica/article/download/1043/1015
Bourdieu, P. (1997). Razones prácticas: sobre la teoria de la acción. Editorial Anagrama.
Bourdieu, P. (2000). Making the economic habitus: Algerian workers revisited. Ethnography, 1(1), 17-41. https://doi.org/10.1177/14661380022230624 DOI: https://doi.org/10.1177/14661380022230624
Bourdieu, P. (2005). O campo econômico. Política & Sociedade, 6, 15-57. https://doi.org/10.5007/%25x
Bourdieu, P. (2011). The forms of capital. In M. Granovetter & R. Swedberg (Eds.). The sociology of economic life. Routledge: New York.
Bourdieu, P. (2012). A miséria do mundo. Editora Vozes.
Bourdieu, P. (2013). Capital simbólico e classes sociais. Novos Estudos, 96, 105-115. https://doi.org/10.1590/S0101-33002013000200008 DOI: https://doi.org/10.1590/S0101-33002013000200008
Bourdieu, P. (2023). Sociologia geral vol. 3: as formas do capital. Editora Vozes.
Garcia, L. G. (2011). Análise do controle interno do poder executivo federal brasileiro sob a perspectiva de Pierre Bourdieu: história social como possibilidade de compreensão da produção e reprodução de práticas dos agentes. [Tese de Doutorado]. Programa de Pós-graduação em Administração. Universidade Federal de Mi-nas Gerais, Belo Horizonte.
Guillery, D., & Gobbo, E. (2025). Tourism and Marginalisation. The Journal of Ethics. https://doi.org/10.1007/s10892-025-09529-5 DOI: https://doi.org/10.1007/s10892-025-09529-5
Lak, A., Gheitasi, M., & Timothy, D. J. (2020). Urban regeneration through heritage tourism: cultural policies and stra-tegic management. Journal of Tourism and Cultural Change, 18(4), 386–403. https://doi.org/10.1080/14766825.2019.1668002 DOI: https://doi.org/10.1080/14766825.2019.1668002
Melo, E. S. O. (2009). Aprofundando o olhar do turista:considerações acerca de suas determinantes sociais. Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, 3(2), 71-94. https://doi.org/10.7784/rbtur.v3i2.182 DOI: https://doi.org/10.7784/rbtur.v3i2.182
Moesch, M., & Noschang, J. (2012). Transposição das noções operatórias de Bourdieu: habitus, campo, poder sim-bólico para o estudo da memória turística do território. IX Seminário da ANPTUR. São Paulo, Brasil. https://anptur.websiteseguro.com/anais/anais/files/9/70.pdf
Neveu, E. (2018). Bourdieu’s capital(s): sociologizing an economic concept. In T. Medvetz & J. J. Sallaz (Eds.), The Oxford Handbook of Pierre Bourdieu. Oxford University Press. DOI: https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780199357192.013.15
Oliveira, M. C. B., & Pimentel, T. D. (2020). A influência da posição dos agentes na elaboração de políticas públicas de turismo em campos turísticos: uma perspectiva comparada na América Latina. Polis Revista Latinoame-ricana, (57), 185-2010. https://doi.org//10.32735/S0718-6568/2020-N57-1570
Pimentel, T. D. (2018). Uma perspectiva sociopolítica para os estudos em turismo. Rev. Anais Brasileiros de Estudos em Turismo, 8(3), 26-31. https://doi.org/10.34019/2238-2925.2018.v8.14070 DOI: https://doi.org/10.34019/2238-2925.2018.v8.14070
Plascencia, J. R. (2005). Tres visiones sobre capital social: Bourdieu, Coleman y Putnam. Acta Republicana:Política y Sociedad, 4(4), 21-36.
Silva Júnior, F. X. da, Nóbrega, W. R. M. & Figueiredo, S. L. (2026). Tourism Fields, Arenas, and Disputes in the Latin American Urban Context. International Journal of Marketing, Communication and New Media, 18, 111-126. https://doi.org/10.54663/2182-9306.2026.SpecialIssueCMTH.111-126 DOI: https://doi.org/10.54663/2182-9306.2026.SpecialIssueCMTH.111-126
Silva Júnior, F. X. da., Maranhão, C. H. S., & Nóbrega, W. R. M. (2025). O campo turístico da zona histórica e portuária de Natal/RN sob a perspectiva da teoria do campo de Pierre Bourdieu. Revista Latino-Americana de Turis-mologia, 11(1), 1-13. https://doi.org/10.5281/zenodo.17675950
Silva Júnior, F. X. da., & Nóbrega, W. R. M. (2023). Relação porto-cidade e a operacionalidade turística do terminal marítimo de passageiros de Natal-RN. Revista Acadêmica Observatório de Inovação do Turismo, 17, 105-128, 2023 https://doi.org/10.61564/raoit.v17n1.7279 DOI: https://doi.org/10.61564/raoit.v17n1.7279
Silva Júnior, F. X. da., & Nóbrega, W. R. M. (2026). Habitus misalignment and the limits of tourism-led urban renova-tion. Tourism Geographies, 1–21. https://doi.org/10.1080/14616688.2026.2668553 DOI: https://doi.org/10.1080/14616688.2026.2668553
Silva Júnior, F. X. da. (2025). O campo turístico a partir da zona histórica e portuária de Natal (RN): concepção, dispu-ta dos capitais e transformação dos habitus. [Tese de Doutorado]. Programa de Pós-graduação em Turismo. Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Brasil.
Silva, G. O. V. (1995). Capital cultural, classe e gênero em Bourdieu. Informare, 1(2), 24-36. https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/215/1/OlintoSilvaINFORMAREv1n2.pdf
Taveira, M. (2016). Capital turístico e as teorias sociais de Marx, Bourdieu e Putnam. Revista Turismo em Análise, 27(1), 4-21. https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v27i1p4-21 DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1984-4867.v27i1p4-21
Wacquant, L. (2007). Lendo o “capital” de Bourdieu. Educação e Linguagem, 10(16), 37-62. DOI: https://doi.org/10.15603/2176-1043/el.v10n16p37-62
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Francisco Silva Júnior, Wilker Ricardo de Mendonça Nóbrega

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
a. Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Pública Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0) que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
b. Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
c. Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado (Veja O Efeito do Acesso Livre).











