Editorial

  • Margarita Barretto Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brasil
  • Sênia Bastos Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil

Resumo

O poeta espanhol Antonio machado disse "caminante, ho hay camino, se hace el camino al andar". É andando que estamos fazendo o caminho da Turismologia no Brasil, e é com muito orgulho que, como parte deste andar entregamos ao público o primeiro número da Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, iniciativa da ANPTUR - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo. Esta revista pretende ser uma contribuição significativa para o processo de cientifização crescente dos estudos de Turismo que se observa no país e no mundo, abrindo espaço para difundir os resultados das pesquisas realizadas a partir dos olhares multidisciplinares na expectativa de chegar à desejada transdisciplinaridade que o Turismo, enquanto fenômeno social total que é, demanda para sua compreensão. Muitas são as afirmações realizadas a respeito do Turismo e seus efeitos na sociedade, mas poucas são as pesquisas que comprovam os mesmos. Os economistas afirmam que o Turismo gera muitos empregos e que tem um grande efeito multiplicador. Precisamos, no entanto, pesquisar quais são os tipos de empregos gerados e qual o alcance deste efeito multiplicador, quais as implicações da evasão de impostos e qual a relação desta última com a história social dos países. Também há poucas pesquisas sobre os efeitos do Turismo nas formas tradicionais de produção. Do ponto de vista sociológico e antropológico, é preciso aprofundar em pesquisas incipinetes já realizadas sobre quais efeitos nas famílias tradicionais do ingresso no mercado de trabalho das mulheres. É preciso relacionar Turismo com questões de gênero e identidade. Também é necessário estudar a influência com questões como etnia e nacionalidade na empregabilidade no setor, assim como a relação entre Migralção e Turismo e a cada vez mais frequente transformação de imigrantes em turistas e vice versa. Muitos têm sido os estudos realizados no passado sobre os processos de aculturação supostamente provocados pelo Turismo. É preciso, no entanto, verificar a relação da aculturação coma história social e a auto-estima dos povos. Na década de 1980 os defensores da chamada plataforma da conciliação propuseram novas formas de Turismo, que permitissem a convivência dos visitantes com os visitados. No entanto, é preciso ainda avaliart qual a influência dos preconceitos e estereótipos no relacionamento destes, assim como qual o limite da possibilidade de conviv~encia antes que a mes ma se transforme em invasão de privacidade. É necessário estar atento às implicações na área da saúde de novas formas de turismo rural, por exemplo. E, fundamentalmente, verificar qual o limite aceitável da turistificação de espaços e costumes. Sabemos que a resposta a estas questões não é fácil de se obter, porque é muito difícil isolar o turismo de outros fenômenos sociais coadjunvantes que podem ou não ter com ele uma relação causal. Apesar das dificuldades inerentes à pesquisa na área de Turismo temos certeza de que estamos trilhando o caminho, com uma comunidade científica que se esforça por investigar seriamente este objeto, fascinante por sua complexidade e diversidade. O formato eletrônico da Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo, conjugado comn a gratuidade, permitirá o acesso livre e irrestrito por parte de todos os interessados, em qualquer parte do mundo, propiciando assim a difusão ampla do conhecimento asem barreiras físicas ou econômicas, o que é missão de uma associação de classe. No primeiro número, apresentamos artigos versando sobre educação, ensino, souvenirs, memória coletiva e museus. O artigo de Ari da Silva Fonseca FIlho apresenta um panorama da educação para o Turismo no ensino básico, concluindo que os programas desenvolvidos formam. ao mesmo tempo, bons turistas e bons anfitriões. A análise dos souvenirs realizada por Bianca Freire-Medeiros e Celso castro permite ver como estes compôem a imagem turística do Rio de Janeiro, observando que muitas vrezes aquilo que para os cariocas pode ser de mau gosto, é comprado entusiasticamente pelos turistas. Ceres Karam Brum analisa o processo de construção da memória coletiva da região das Missões, onde se desenvolvem projetos de turismo religioso, concluindo que há uma relação dialética entre a proposta turística oficial e a postura da população, mas que, no entanto, permite um turismo edificante. Márcia M. Cappellano dos Santos argumenta que, paradoixalmente, o incremento dos estudos científicos em Turismo não tem diso acompanhado de inovações nas propostas didático-pedagógicas. para avançar neste campo, apresenta o resultado de uma experiência bem sucedida para formar professores de Turismo. Como representante do exterior, Tânia Siedlecki Huerta descreve as mudanças acontecidas nos juseus para atender a demanda turística, incorporando novos paradigmas comunicacionais e os conceitos de dialogismo, alteridade e multiculturalidade. Este número apresenta também a resenha de um polêmico livro de Helton Ouriques e a crônica do II Simpósio Internacional de Pesquisa realizado em Misiones, Argentina. Margarita Barreto Sênia Regina Bastos Editoras

Biografia do Autor

Margarita Barretto, Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brasil
Possui doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1993) e graduação em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1984). É professora da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), pesquisadora do CNPq e Professora Voluntária na Universidade Federal de Santa Catarina. Fundadora do Grupo de Pesquisa CulTuS- Cultura, Turismo e Sociedade, do qual atualmente é vice líder. Líder do GeTIC, Estudos de Gestão em Turismo e Instituições Culturais, sediado na FURB. Tem experiência na área de Educação, e suas pesquisas tem focado a cultura, o turismo e o patrimônio e os estudos de antropologia do turismo. Assessora universidades brasileiras e estrangeiras nos temas de turismo, cultura e patrimônio. Membro efetivo da Aassociação Brasileira de Antropologia e do conselho editorial de revistas nacionais e internacionais de turismo e cultura (currículo atualizado em 25/12/2008). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5628036340035162
Sênia Bastos, Universidade Anhembi Morumbi, São Paulo, Brasil
Sênia Bastos é bacharel (1990), mestre (1997) e doutora (2001) em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Atualmente é professora titular do Mestrado em Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi, Diretora Científica da Associação Nacional de Pesquisa e Pós Graduação em Turismo ANPTUR e Editora da Revista Brasileira de Turismo - RBTur (currículo atualizado em 07/12/2008). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/9403222681503465
Publicado
01-09-2007
Seção
Editorial