Os signos e símbolos do patrimônio nas ações do marketing, uma relação possível? Reflexões a partir das campanhas da Feira Nacional do Doce (Fenadoce) de Pelotas/RS, Brasil

  • Cristiane Berselli Universidade do Vale do Itajaí
  • Luciano Torres Tricárico Universidade do vale do itajaí
  • Diva de Mello Rossini Universidade do Vale do Itajaí
Palavras-chave: Marketing, Patrimônio, Identidade, Turismo.

Resumo

Este estudo surgiu da necessidade de compreender se o marketing, pautado pela estra-tégia mercadológica, considera os signos e signos patrimoniais para a construção da marca e imagem no turismo. Na busca por responder este questionamento, a metodolo-gia utilizada foi a investigação exploratória de caráter qualitativa, desenvolvido por meio de análise de conteúdo (Bardin, 2011). Foram identificadas as categorias identi-dade, patrimônio e marketing e suas subcategorias a partir da literatura levantada no referencial teórico. Feito isso, foram analisadas as campanhas utilizadas pela Feira Nacional do Doce - Fenadoce, para reconhecer como a identidade e o patrimônio ima-terial da cultura doceira de Pelotas (RS), Brasil, estão sendo inseridos pelos gestores de marketing. Todas as categorias e subcategorias foram encontradas no conteúdo das mensagens, estando mais ou menos explícitas nas cinco campanhas analisadas. Con-clui-se que a relação entre patrimônio e marketing somente será possível se a primeira categoria estiver inserida na segunda. Além de contribuições gerenciais, as categorias e subcategorias encontradas contribuem para pesquisas futuras similares.

Biografia do Autor

Cristiane Berselli, Universidade do Vale do Itajaí
Mestranda em Turismo e Hotelaria (Univali) Bacharel em Turismo (UFPEL) Tecnóloga em Hotelaria (UFPEL) Especialista em Gestão pública e desenvolvimento regional (UFPEL)
Luciano Torres Tricárico, Universidade do vale do itajaí
Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (FAU USP 1999), parte da graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP 1994), mestrado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP 2004) e doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP 2008).professor e pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (curso de graduação de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil, Turismo e Hotelaria; Tecnólogo em Design de Interiores; Especialização em Design de Interiores; Programa de Pós-graduação em Turismo e Hotelaria e disciplina do Núcleo de Disciplinas Internacionalizadas - Arquitetura Brasileira). 
Diva de Mello Rossini, Universidade do Vale do Itajaí
Graduação em Enfermagem pela Universidade Federal de Santa Catarina (1986), Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade do Vale do Itajaí (2000), Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2004), Doutorado em Administração e Turismo pela Universidade do Vale do Itajaí (2012) e Pós-doutorado em Arquitetura pela Universidade de Lisboa (2014). Professora dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Tecnólogo em Design de Interiores e Mestrado em Turismo, da Universidade do Vale do Itajaí

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Publicado
28-02-2019
Seção
Artigos