Editorial

  • Margarita Barretto Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brasil

Resumo

Entregamos o segundo número da Revista Brasileira de Pesquisa em Turismo- RBTur, inaugurada oficialmente com o primeiro número no dia 25 de agosto de 2007, que coincide com importantes datas no relacionamento das pessoas com as viagens e o turismo. Neste dia, em 1768, o Capitão James Cook, empreende sua primeira viagem transoceânica na sua nave Endeavour. No transporte terrestre, em 1910, funda-se a companhia Yellow Cab nos Estados Unidos. No ar, em 1919, inaugura-se a aviação comercial, quando um avião civil (Havilland) transporta passageiros de Londres a Paris. É uma data também importante para as mulheres aviadoras; em 1920 Adrienne Bolland será a primeira figura feminina a atravessar de avião o Canal da Mancha e, em 1932, Amélia Earhart realizará o primeiro vôo sem paradas através do território dos Estados Unidos. Finalmente, no espaço, no dia 25 de agosto de 1989, a sonda Voyager 2 chega a Netuno. Também para os novos paradigmas do turismo, como a preservação da natureza, a data é importante, pois marca a criação do Serviço de Parques Nacionais, nos Estados Unidos, em 1916, que servirá de modelo aos demais países do mundo. Precedida de tantas efemérides transcendentes, a nossa revista tem a responsabilidade de deixar para o futuro uma marca de qualidade acadêmica e inovação científica, que pretendemos cumprir apoiados nos excelentes pesquisadores que há no Brasil e nos países vizinhos, assim como aqueles consagrados no primeiro mundo que nos prestigiam com intercâmbios culturais há tantos anos. O primeiro número teve impressionante acolhida, tendo os editores recebido mails elogiosos de todo o país, assim como da Nova Zelândia, do México, da Espanha, da Argentina, entre outros, de cientistas provenientes das mais diversas áreas, refletindo o sucesso da nossa abordagem multidisciplinar sobre o turismo. Neste segundo número, apresentamos estudos inovadores referentes a aspectos simbólicos do turismo, assim como resultados de trabalhos que demonstram que o turismo pode estar a serviço das comunidades e não apenas do capital. O trabalho de Correia trata do desenvolvimento sustentável da comunidade de remanescentes de quilombolas de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Revela como a intervenção da universidade, por meio da pesquisa, do ensino e da extensão, tem contribuído para o desenvolvimento da região, com especial ênfase para as atividades turísticas que despontam como uma das principais vocações do lugar. A pesquisa de Dartora e Gastal analisa a produção de discursos associados ao Turismo, pelos trabalhadores do setor hoteleiro da cidade de Caxias do Sul, utilizando conceitos e premissas da Psicologia Social, como ‘percepção’ e ‘atitude’, e as teorizações da Comunicação Social, sobre imaginários. Concluem as autoras que os entrevistados não consideram satisfatória a relação da cidade com a atividade turística, quando a mesma é comparada a outras localidades da mesma região. Gomes e Santos revelam que o estado de Minas Gerais foi precursor da política de articulação de agentes locais, por meio da Política de Circuitos Turísticos. A pesquisa realizada demonstrou que o referido projeto criou uma estrutura de governança, que reduziu a incerteza, o oportunismo e a possível perda de investimentos, reduzindo os custos de transação. Nakayama apresenta uma abordagem dentro dos novíssimos paradigmas dos deslocamentos humanos que demonstram a estreita relação entre migrações e turismo. A pesquisadora estuda a amenity migration, que pode ser traduzida como migração por diversão ou por prazer, fenômeno que, diferentemente das migrações forçadas por fome ou por guerras, é uma opção dos protagonistas, cujos efeitos no lugar se aproximam de forma muito estreita com os efeitos provocados pelo turismo. Yázigi analisa as comunidades indígenas que abriram suas portas para o turismo, apontando as falhas dos projetos em virtude da falta de domínio da área por parte destas comunidades. Considera o autor que as referidas comunidades devem aliar suas propostas com a definição de termos de manejo de parques nacionais para em seguida, pensar em sua adaptação às superfícies tribais e às conveniências do turista e, desta forma, preservar tanto a integridade da natureza quanto a da cultura. O número encerra com uma resenha realizada por Barretto sobre artigo científico de John Tribe, que, mesmo tendo sido escrito há dez anos, tem sido pouco difundido e contempla discussões fundamentais para compreender o turismo, propondo um novo modelo epistemológico a partir dos marcos teóricos da filosofia e a sociologia do conhecimento.

Biografia do Autor

Margarita Barretto, Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), Brasil
Possui doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1998), mestrado em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (1993) e graduação em Turismo pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1984). É professora da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), pesquisadora do CNPq e Professora Voluntária na Universidade Federal de Santa Catarina. Fundadora do Grupo de Pesquisa CulTuS- Cultura, Turismo e Sociedade, do qual atualmente é vice líder. Líder do GeTIC, Estudos de Gestão em Turismo e Instituições Culturais, sediado na FURB. Tem experiência na área de Educação, e suas pesquisas tem focado a cultura, o turismo e o patrimônio e os estudos de antropologia do turismo. Assessora universidades brasileiras e estrangeiras nos temas de turismo, cultura e patrimônio. Membro efetivo da Aassociação Brasileira de Antropologia e do conselho editorial de revistas nacionais e internacionais de turismo e cultura (currículo atualizado em 25/12/2008). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/5628036340035162
Publicado
01-12-2007
Seção
Editorial